and walks alone upon the land to become lost in the wild. Alexander Supertramp, May, 1992
Background Illustrations provided by: http://edison.rutgers.edu/

Anne Frank

"Então, se você está se perguntando se ficar aqui é mais difícil para os adultos do que para os jovens, a resposta é não, com certeza. Os mais velhos têm uma opinião formada sobre tudo, são seguros de si e de seus atos. Para nós, jovens, é duas vezes mais difícil manter nossas opiniões numa época em que os ideais são estilhaçados e destruídos, quando o pior lado da natureza humana predomina, quando todo mundo duvida da verdade, da justiça, de Deus."
O Diário de Anne Frank, P. 341

Eu aprendi com esse livro mais do que achava possível, mesmo sendo tão mais velha que Anne e vivendo num mundo tão diferente e, constatarão os leitores, tão semelhante àquele no qual ela viveu.
É uma pena imensurável que essa garotinha não tenha tido a chance de ensinar mais a todos nós, que encontramos, mais cedo ou mais tarde, um pouco de nós mesmos em Anne, mas espero que esse incrível relato nos seja suficiente.

Natação

Quando eu tinha uns 8 anos, minha mãe decidiu que era hora de eu aprender a nadar. Comecei a fazer aulas junto com a minha prima, na época, com 13. Bem, fizemos aulas por cerca de um ano, tempo durante o qual eu ouvia todos os dias que ela sabia nadar tão bem e que eu era incapaz de fazer o movimento certo com os braços, que eu só me preocupava em ir rápido e ignorava a maldita técnica. Os instrutores faziam os movimentos fora da água e eu assistia-os atentamente, para depois tentar imitar dentro da água. Em certos dias, eles se cansavam e entravam na água para tentar ilustrar melhor para mim como eu deveria fazer. Eu assistia, acenava com a cabeça e, juro, tentava fazer igual, tanto que até hoje não encontrei o problema das minhas braçadas. 

No final do ano haveria uma competição da qual participariam os alunos de todas as unidades da escola. Os instrutores nos fizeram treinar, por algumas semanas, em categorias, sendo que a minha exigiria apenas uma ida até o outro lado da piscina (já não me lembro dos termos), e a categoria dos nadadores menos medíocres, isto é, a da minha prima, exigiria a ida e a volta. O fato de não ter que voltar me deixou mais tranquila, porque apesar das alegações da minha ignorância em relação à técnica, eu conseguia ser rápida. 
Chegou o dia da competição e, claro, estavam lá meus pais e meus tios, além de muito mais gente do que eu esperava. Não lembro da espera pela minha vez, mas lembro que nadei o mais rápido que pude, e cheguei bem rápido ao outro lado. No entanto, ao começar a respirar e a tirar os óculos, demorei a entender que as pessoas ao redor diziam “volta!”. No desespero, saí nadando loucamente em direção ao outro lado e, se não me engano, fui a penúltima a chegar lá.

Os adultos da família fizeram cara de orgulhosos, afinal, eu ganhei a “importantíssima” medalha de participação. Não lembro em que posição a minha prima chegou, mas ganhamos a mesma medalha, amenizando a minha humilhação. Serei eternamente frustrada pelo mal entendido daquele dia, por não terem me dito que eu teria que ir e voltar. Hoje reflito e já não sei de quem foi a culpa… talvez tenham dito e eu não tenha ouvido/entendido, não sei. Depois daquela vez, fiz natação algumas outras vezes em diferentes momentos e escolas. Quando eu tinha uns 14 anos, os instrutores da outra escola continuavam dizendo que eu não sabia fazer a técnica, mas eu nunca mais quis participar de competições.

Nessa minha breve vida adulta, eu acredito que saiba nadar, mas nunca deixei de pensar que posso estar ainda fazendo as braçadas de forma errada, afinal, nadar pra mim é simples demais, eu entro na água e faço os movimentos. Em todo filme ou competição que passa na TV, fico “analisando” as braçadas das pessoas e chego à conclusão de que ninguém está fazendo certo. O parâmetro que tenho são as braçadas da minha prima, mas nunca mais encontrei alguém que as fizesse como ela e, por isso, acho que todas as braçadas do mundo sempre me parecerão erradas. Me serve de consolo não ser possível ver as minhas próprias enquanto estou nadando, mas me consola ainda mais o fato de não ter mais primas ou instrutores por perto.